
A maioria das implementações BIM começa no lugar errado. Primeiro o software. Depois o modelo. E, com sorte, uma tentativa de decisão a partir do que sobrou.
O caminho que uso é o inverso. Começa na reunião, na ata, no e-mail disperso, na conversa que ninguém organizou. Dali nasce o problema estruturado. Só depois são definidos os processos, os requisitos de informação e os padrões abertos que vão organizar e compartilhar os dados necessários à decisão.
Por que a implementação BIM não deve começar pelo software?
Porque comprar uma ferramenta não define o que ela precisa resolver.
Quando o software vem primeiro, a empresa ganha modelos tecnicamente corretos e continua com os mesmos gargalos. Licenças, treinamentos e horas de modelagem viram custo sem retorno claro. O problema não estava na falta de ferramenta. Estava na falta de clareza sobre a decisão que a informação deveria sustentar.
Adquirir uma ferramenta é uma decisão de compra. Estruturar processos que gerem resultado a partir da informação é uma decisão de gestão.
Como identificar os problemas que o BIM precisa resolver?
Olhando para onde a gestão já falha hoje. Alguns sinais comuns:
- retrabalho recorrente entre disciplinas;
- decisões tomadas por telefone e sem registro;
- informação que se perde entre projeto, obra e suprimentos;
- pendências que ninguém sabe se foram resolvidas;
- quantitativos que não batem com o orçamento.
Esses sintomas estão nas reuniões, nas atas e nos e-mails. Antes de pensar em tecnologia, vale mapeá-los e perguntar: qual decisão está sendo prejudicada?
Como transformar problemas de gestão em requisitos de informação?
Um exemplo. Uma equipe identifica retrabalho recorrente na compatibilização de projetos. A reação comum é escolher uma ferramenta de detecção de conflitos. Antes disso, quatro perguntas precisam de resposta:
- Onde a informação se perde? Na troca entre disciplinas, na revisão ou na aprovação?
- Como os problemas são registrados? Existe um registro único ou cada um anota onde quer?
- Quem precisa agir? Cada pendência tem um responsável definido?
- Quando uma pendência está resolvida? Qual critério encerra o problema?
As respostas viram requisitos de informação: o que precisa ser registrado, por quem, em que formato e para qual decisão. Só então faz sentido escolher a ferramenta, que passa a ser consequência de uma pergunta bem feita.
Qual é o papel do OpenBIM nesse processo?
OpenBIM não é uma plataforma. É uma abordagem de colaboração baseada em padrões abertos e interoperabilidade, como o IFC para os modelos, o BCF para a comunicação de pendências e o IDS para a verificação de requisitos.
Nesse caminho, o OpenBIM entra depois do problema estruturado. Ele garante que a informação definida como necessária possa circular entre ferramentas e participantes diferentes, sem ficar presa a um único software. Os padrões abertos sustentam a decisão. Não substituem a pergunta que a decisão precisa responder.
Como saber se uma empresa está preparada para implementar BIM?
Avaliando a maturidade antes de definir prioridades. Processos, pessoas, governança e tecnologia precisam ser analisados juntos. Uma empresa com gestão informal e muito investimento em software tem prioridades diferentes de outra com processos sólidos e pouco uso de BIM.
O artigo sobre por onde começar um diagnóstico de maturidade BIM explica os quatro perfis que uso para fazer essa leitura. E o Diagnóstico de Maturidade BIM e Gestão aplica esse método à realidade de cada empresa.
A tecnologia precisa responder a uma necessidade
BIM não é objetivo em si. A tecnologia só gera valor quando responde a uma necessidade concreta da organização. Vale gastar menos tempo perguntando qual ferramenta usar e mais tempo perguntando qual decisão essa informação vai sustentar. O resto é sequência.
Sua organização começa pelo software ou pela pergunta que ele deveria responder?
